Programa para construção de cisternas do Governo Federal é premiado pelo BID e FEMSA durante Congresso da ABES

Caminhar quilômetros para conseguir uma água lamacenta e imprópria para o consumo ainda é uma realidade para pelo menos 16 milhões de brasileiros que ainda vivem em situação de extrema miséria. O reconhecimento deste problema por parte do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome resultou no Programa Cisternas, uma solução simples e barata que já mudou a vida de 400 mil famílias do semi-árido nordestino. O projeto é considerado um exemplo pela eficácia e viabilidade econômica, e por isto recebeu do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e da Fundação FEMSA, o 3º Prêmio de Água e Saneamento, entregue à ministra Tereza Campello na tarde desta segunda-feira (26/09), durante o Congresso da ABES, que ocorre até o dia 29/09, na FIERGS. "O prêmio nos serve de motivação para continuar em busca de soluções para os outros 16 milhões de brasileiros que ainda se encontram em situação de extrema miséria no País", ressaltou Tereza.

A solenidade foi comandada pelo Chefe da Divisão de Águas e Saneamento do BID, Federico Basañes, que destacou a importância de reconhecer as boas experiências do Brasil. "Temos apostado em iniciativas como esta e encontramos no Brasil excelentes exemplos de boas práticas com nossos investimentos para o benefício da população", enfatizou.
Tereza lembrou que 3 mil cisternas como as que foram construídas no Nordeste estão sendo levadas ao interior do Rio Grande do Sul. "A idéia é amenizar os efeitos da estiagem em regiões que são periodicamente prejudicadas pelas alterações climáticas", completou a ministra.

Na ocasião também foi entregue uma medalha na categoria Gestão de Saneamento à presidente da Companhia Estadual de Saneamento Básico de São Paulo (SABESP), Dilma Pena, em reconhecimento ao Programa de Melhoria Ambiental da Bacia do Rio Tietê, que promete chegar a 100% de cobertura de coleta e tratamento de águas residuais.
Estiveram presentes no evento o presidente da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, Adão Villaverde, o secretário de Trabalho e Desenvolvimento Social, Luís Augusto Lara, a presidente da Associação Brasileira de Saneamento Ambiental (ABES), Cassilda Teixeira, e o cônsul geral da Espanha no Brasil, Javier Collar.

Programa Cisternas

O Programa Cisternas está integrado ao Plano de Segurança Alimentar, desenvolvido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Desde 2003 até agora foram construídas, no semi-árido nordestino, 405 mil cisternas, cada uma com capacidade de armazenar até 16 mil litros de água oriunda das chuvas.

As cisternas foram desenvolvidas em parceria com a EMBRAPA pelo valor de R$2 mil por unidade. Cerca de 14 mil pedreiros da própria região receberam capacitação técnica para a construção das cisternas, o que gerou emprego e movimentou a economia das localidades beneficiadas. O projeto pretende abranger 750 mil famílias até 2013. Para isto, prevê investimentos de R$640 milhões no mesmo período.