Poluição no limite em BH

A Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) está entre as áreas urbanas com o ar mais poluído do mundo. De acordo com relatório de análise da qualidade do ar divulgado ontem, em Genebra, na Suíça, pela Organização Mundial de Saúde (OMS), a Grande BH aparece na 467ª posição. O estudo, feito pela primeira vez, levantou dados de 1,1 mil cidades em 90 países e apontou que a região ainda atende os parâmetros de qualidade do ar conforme os critérios da OMS, com taxa de 20 microgramas de poluição por metro cúbico de ar (ug/m³), exatamente o índice de BH.

Apesar da classificação perigosa, a RMBH é a que ostenta melhor posição entre as áreas metropolitanas brasileiras. A do Rio de Janeiro, com 64 ug/m³, é a área mais poluída do país segundo o relatório da OMS, ocupando a 164ª posição no estudo divulgado ontem. a Grande São Paulo, com 38 microgramas de poluição por metro cúbico de ar, vem em 268º lugar, enquanto a Região Metropolitana de Curitiba registra índice de 29 ug/m³ e ocupa a 360ª posição no relatório.

CAMPEÃ A cidade com maior índice de poluição atmosférica no mundo, segundo os dados divulgados ontem no site da OMS, é Ahwaz, no Irã, com taxa de 372 microgramas de poluição por metro cúbico de ar. Em seguida, vem Ulan Bator, capital da Mongólia, com 279 ug/m³. A terceira posição é de Sanandaj, também no Irã, que registrou índice de 254 ug/m³. Ludhiana, na Índia, é a quarta cidade com pior qualidade do ar. A taxa de poluição registrada nesta cidade foi de 251 ug/m³. O Brasil aparece no levantamento como o 44° país com maior índice médio de poluição do ar.

Segundo a OMS, a lista mostra a necessidade urgente de reduzir a poluição atmosférica, que provoca 1,34 milhão de mortes prematuras por ano. Os principais agentes causadores desses óbitos são o dióxido de nitrogênio, emanado das usinas de energia termelétrica (carvão, petróleo, etc), além do dióxido de carbono expelido pelos escapamentos dos automóveis, ônibus e caminhões.

As áreas urbanas com menor índice de poluição estão em países desenvolvidos, como o Canadá e os Estados Unidos, graças à baixa densidade populacional e a regras de controle da poluição. A cidade canadense de Whitehorse, no território do Yukon, tem apenas 3 microgramas por metro cúbico. A cidade de Santa Fé, no EUA (estado de Novo México) tem somente 6 microgramas de poluição por metro cúbico.


Cidade tem prazo para reduzir emissões

Uma lei sancionada no primeiro semestre pelo prefeito Marcio Lacerda dá prazo de quatro anos para a cidade reduzir em 30% a emissão de gases causadores do efeito estufa, principalmente dióxido de carbono (CO2). O objetivo é cumprir os prazos da Política Nacional de Mudanças Climáticas, que fixa parâmetros para a diminuição da poluição atmosférica. BH foi a terceira capital a aprovar legislação específica, depois de São Paulo e Rio de Janeiro. O problema da capital mineira é que o texto legal define poucas ações para alcançar o objetivo. Em apenas quatro casos são definidas ações que podem contribuir na redução da emissão de dióxido de carbono e outros gases provocadores do efeito estufa. O artigo 44 define que a prefeitura deve mudar o perfil da frota de ônibus para que ocorra "redução progressiva do uso de combustíveis fósseis, ficando adotada meta progressiva de redução de, pelo menos, 10% a cada ano". A medida tenta inibir o maior emissor de gases estufa na capital: os meios de transporte. Inventário municipal, elaborado em 2008 mostra que o setor é responsável por 82% do CO2 lançado na atmosfera.


AS MAIS POLUÍDAS DO MUNDO

Taxa de microgramas de poluição por metro cúbico de ar (ug/m3).
O limite recomendado pela Organização Mundial de Saúde é de 20.

1 - Ahwaz /Irã/372
2 - Ulaanbaatar/Mongólia/279
3 - Sanandaj/Irã/254
4 - Ludhiana/Índia/251
Quetta/Paquistão/251
6 - Kermanshah/Irã/229
7 - Peshawar/Paquistão/219
8 - Gaborone/Botswana/216
9 - YasoujIrã/215
10 - Kanpur/Índia/209
144 - Rio de Janeiro/Rio de Janeiro/64
204 - Cubatão/São Paulo/48
267 - Campinas/São Paulo/39
268 - São Paulo/São Paulo/38
360 - Curitiba/Paraná/29
467 - BELO HORIZONTE/Minas Gerais/20