Eventos esportivos são desafiados pela poluição no Rio de Janeiro

Diariamente são recolhidos 180 quilos de lixo na Baía de Guanabara, incluindo geladeiras enferrujadas e tartarugas marinhas mortas enroladas em linhas de pesca. Esses resíduos estão todos nas águas que irão sediar a competição de Vela olímpica em 2016.


As décadas de negligência e de crescimento não planejado resultaram em praias sujas e riscos à saúde para os residentes locais. No entanto as autoridades estão se esforçando para mudar este cenário antes de sediar dois dos maiores eventos esportivos do mundo, a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016.


Apenas 33% do esgoto do Rio de Janeiro é tratado, e muitos dos 19 rios que deságuam na baía correm com esgoto. Esforços recentes têm melhorado as condições, mas os políticos reconhecem que vai demorar muitos anos e milhões de dólares para restaurar a baía.


"Se os jogos fossem hoje, estaríamos oferecendo as piores pistas olímpicas na história", disse Axel Grael, ex-chefe do órgão ambiental estadual e atual presidente do programa de limpeza ambiental e de educação chamado Projeto Grael.


"Nenhum outro lugar (Olímpico) foi tão sujo como este é agora", disse Grael. "Se um desses barcos, durante a competição, ficar presos em plástico, seria um embaraço real para a baía e para a cidade."


A poluição também afeta lagos e praias que serão palcos de outros eventos durante os Jogos de 2016.


A lagoa Rodrigo de Freitas, que sediará o remo olímpico e as competições de canoagem, sofreu enormes perdas de peixes nos últimos anos. A praia de Copacabana, onde os nadadores de maratona e triatletas irão competir, é ocasionalmente imprópria para banho. As fortes chuvas que ocorrem regularmente causam transbordamento dos esgotos deixando longas faixas pretas no branco das areias das praias do Rio de Janeiro.


Os governos estão aumentando os esforços para tratar o esgoto, e há, pelo menos, alguns peixes hoje em dia na Lagoa Rodrigo de Freitas, mesmo que os níveis de metais pesados na água tenham diminuído, a presença deles ainda torna os peixes impróprios para consumo.


A limpeza da baía que abrange 383 km2 continua sendo o maior desafio. Os atletas que esperam para competir no evento de vela ficaram decepcionados depois de inspecionar as condições na baía, explicou Grael.


Quando os Jogos Mundiais Militares foram realizados, em julho, ocorreu uma semana de limpeza de emergência, para remover meia tonelada de lixo flutuante.


Mas as redes não são páreo para o lixo produzido pelas dez milhões de pessoas que concentram ao longo da costa Guanabara. Descarte irregular significa que o lixo é lavado para a baía durante as tempestades. Além disso, resíduos provenientes de estaleiros, duas refinarias de petróleo, dois portos comerciais e um dos maiores depósitos do mundo também escapam para dentro da baía.


Uma pesquisa realizada no ano passado pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente mostrou contagens de bactérias E. coli na areia de Ipanema, insegura para recreação.


"Nosso objetivo é ir de 30% para o tratamento de 65% do esgoto até 2014, mas o esgoto é apenas um aspecto do problema", disse o secretário estadual de meio ambiente Carlos Minc. "Temos várias iniciativas para garantir uma baía limpa para a Copa do Mundo e Olimpíadas."


Esforços recentes têm melhorado as condições. Um programa financiado por bancos internacionais e complementado com recursos estaduais construiu estações de tratamento de resíduos ao longo de Guanabara. Grande parte dos alimentos em decomposição e outras matérias orgânicas que fluíam livres na água foram bloqueados devido às melhorias do Aterro Municipal de Gramacho. Um dos maiores depósitos do mundo é construído sobre um terreno pantanoso instável, ecologicamente sensível que faz fronteira com a baía. Acordos com refinarias e estaleiros navais que operam na região têm reduzido significativamente os metais pesados ??e outros poluentes industriais que entram no sistema.


Minc está lançando um programa de coleta de lixo regular e ligações de esgoto em favelas há muito tempo negligenciadas, que deve ir além da Olimpíada, para deixar uma cidade melhor para os habitantes.


"Há claras melhorias, mas você também tem 50 anos de crescimento desordenado que não foi acompanhado de qualquer infra-estrutura", explicou o oceanógrafo Vinicius Palermo. "O desafio é enorme, e o esforço será grande", disse ele. "A melhora será gradual. Pelos Jogos Olímpicos, nós sentiremos a melhora, mas o efeito real virá em dez anos ou mais."