Seis presos por desmatamento em Minas

Pelo menos 15 mil hectares de vegetação do Cerrado do Norte de Minas foram destruídos para a produção ilegal de carvão que era usado em siderúrgicas localizadas na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). A área desmatada sem autorização é do tamanho de 15 mil campos de futebol. Seis pessoas acusadas de crime ambiental tiveram as prisões preventivas decretadas pela juíza de Monte Azul, no Norte de Minas, Poliana Neves.

O Ministério Público (MP), que nesta terça-feira (13) realizou a operação Corcel Negro II, apurou que o carvão que vinha do Norte de Minas abastecia a Companhia Siderúrgica Matozinhos (Cosimat). Segundo o promotor Fabrício Lopo, a empresa que tinha entre os sócios Carlos Murta, que teve a prisão decretada, tem uma dívida de pelo menos R$ 60 milhões de impostos estaduais atrasados e multas ambientais que não foram pagas.

O promotor Fabrício Lopo informou que o esquema de uso de carvão do Cerrado era comandando por Ennes Gontijo, ex-proprietário da Usifar, empresa que faliu em 1994. As investigações da Promotoria de Meio Ambiente apontam que Ennes Gontijo usou laranjas para montar a Cosimat, entre eles Gildásio Esteves Lima, ex-funcionário da Usifer.

O MP apurou que os lucros da Cosimat eram enviados para empresas registradas em nome dos filhos de Ennes Gontijo, entre elas a ADE Táxi Aéreo. A Receita Estadual informou que a dívida de Imposto Sobre Circulação e Serviços (ICMS) da Usifer e Cosimat é de no mínimo R$ 35 milhões.

O carvão vegetal vinha principalmente das cidades de São Francisco, Espinosa, Monte Azul e Januária. Conforme consta no inquérito do Ministério Público, a quadrilha usava notas fiscais falsas que indicavam que o carvão era de matas reflorestadas dos estados da Bahia e Pernambuco. Segundo estimativa do promotor Fabrício Lopo, pelo menos 48 mil metros cubos de carvão do Cerrado foram usados nas siderúrgicas desde 2002.

O carvão também era vendido para indústrias das cidades de Sete Lagoas, Juatuba, Mateus Leme, e Capim Branco. Na Cosimat, em Matozinhos, ninguém foi encontrado para falar sobre o assunto. Os promotores e policiais militares que participaram da operação apreenderam documentos, computadores e cópias de notas fiscais. Todo material será periciado e será anexado ao processo que tramita na Justiça de Monte Azul.