Artigo - André Roberto Melo SIlva - O Tempo

Belo Horizonte é uma cidade que possui vários parques e áreas verdes, mesmo estando longe do número ideal. Só administrados pela prefeitura, são mais de 65 parques, fora outras áreas, como a mata que pertence à UFMG.


Essas áreas sofrem impactos diários, como poluição e queimadas. Além disso, sofrem pressão constante do setor imobiliário e do poder público, para ampliação de ruas. Entretanto, ao contrário de outras cidades, poucos belo-horizontinos valorizam essas áreas; outros têm preconceito de frequentar seus espaços.


Áreas verdes dentro de cidades possuem várias relevâncias. Elas absorvem os raios solares e o excesso de alguns poluentes, tornando mais amena à temperatura em seu redor; absorvem água das chuvas, pois ainda possuem o solo não impermeabilizado; diminuem o nível de ruídos; servem como área de lazer e também funcionam como refúgio para a fauna que ainda sobrevive nas cidades.
Um significativo grupo de animais que consegue permanecer nesses remanescentes são as borboletas. São insetos que possuem antenas com dilatações nas pontas, uma boca com uma "tromba" para sugar líquidos e quatro asas recobertas por minúsculas escamas. Essas escamas, o "pozinho" das asas das borboletas, ao contrário do que muitos pensam, não provocam cegueira. Além disso, possuem metamorfose completa, ou seja, passam pela fase de ovo, lagarta, pupa e adulto. As lagartas se alimentam de folhas e se transformam em borboletas ou em mariposas.
Já os animais adultos se alimentam, principalmente, de duas fontes. As borboletas frugívoras sugam caldos de frutas e as nectarívoras se alimentam do néctar de flores.


Portanto, quanto maior a variedade de plantas presentes nesses parques, maior a quantidade de espécies de borboletas que conseguirão sobreviver dentro deles.


Em pesquisas recentes, realizadas por estudantes e professores do curso de ciências biológicas do Centro Universitário UNA, em duas áreas em Belo Horizonte e Nova Lima, as reservas do Cercadinho e Mutuca, administradas pela Copasa, foi encontrada uma importante fauna de borboletas, incluindo espécies raras e até uma espécie ameaçada de extinção.


Uma das causas de extinções de espécies é a destruição dos habitats por desmatamento ou queimadas. Muitas espécies são extintas antes mesmo de serem registradas num determinado local ou até antes mesmo de serem conhecidas adequadamente pela ciência.

Jornal "O Tempo", 06/12/2010