Tecnologia pioneira será utilizada no saneamento básico rural em Minas Gerais

Comitiva do Governo de Minas, formada por técnicos da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional e Política Urbana (Sedru) e da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), visitou esta semana a sede da Embrapa Instrumentação Tecnológica, em São Carlos (SP). O objetivo foi conhecer a tecnologia de fossa séptica biodigestora que será implantada no Estado, visando à melhoria do saneamento básico rural.

Para a implantação das fossas sépticas biogestoras em Minas será realizado um projeto piloto, que vai construir aproximadamente mil sistemas para atender a região com maior índice de contaminação por doenças transmitidas pela água, de acordo com diagnóstico a ser feito pela Secretaria de Estado de Saúde (SES). O projeto, que será executado pela Secretaria de Desenvolvimento Regional, terá investimento de cerca de R$ 1 milhão da Secretaria de Meio Ambiente.

O biodigestor desenvolvido pelo Embrapa tem o objetivo de substituir, a um custo acessível para o produtor rural, o esgoto a céu aberto e as fossas sépticas, além de utilizar o esgoto tratado como adubo orgânico, melhorando assim o saneamento rural e desenvolvendo a agricultura orgânica.

Para a subsecretária de Desenvolvimento Regional, Beatriz Morais, a instalação desse sistema será um avanço para o saneamento do Estado. "Será um projeto pioneiro em Minas. Nas localidades rurais do Estado os dejetos das famílias são depositados em fossas sépticas e não há nenhum tipo de tratamento. Com a implantação do biodigestor, as famílias terão seu esgoto tratado e reutilizado como adubo orgânico", explica.

Além da subsecretária Beatriz Morais, a comitiva foi composta também pelo subsecretário de Gestão e Regularização Ambiental Integrada, Danilo Vieira; e pela diretora de Execução de Projetos de Saneamentos da Secretaria de Desenvolvimento Regional, Valéria Nascimento.

O sistema

A fossa séptica biodigestora, desenvolvida pela Embrapa, é composta por três caixas-d'água conectadas entre si e enterradas para manter o isolamento térmico. A primeira delas é ligada ao sistema de esgoto e recebe, uma vez por mês, 20 litros de uma mistura com 50% de água e 50% de esterco bovino fresco. Esse material, junto com as fezes humanas, fermenta. A alta temperatura e a vedação das duas primeiras caixas eliminam os patógenos. No final do processo, o líquido está sem micróbios e pode ser usado como adubo.

Pelos estudos da Embrapa, esse tipo de sistema é ideal para uma família composta por cinco pessoas, que despeja 50 litros de água e resíduos por dia. Estima-se que, para cada fossa, sejam investidos R$ 1 mil.