Conflito no Meio Ambiente


Projeto de megaconjunto habitacional, que derrubou secretário da pasta, vira motivo de atrito entre novo titular e Câmara. Vereadores querem discutir os impactos da obra

Responsável pela queda de um secretário municipal há apenas um mês, a construção de um megaconjunto habitacional no Bairro Betânia, na Região Oeste de Belo Horizonte, já põe em pé de guerra vereadores e o novo titular da pasta de Meio Ambiente. Ontem, enquanto apenas três projetos de lei foram votados na Câmara Municipal, os parlamentares usaram a tribuna por uma hora e meia para reclamar do secretário novato, Sérgio Lima Braga, que teria descumprido combinado com eles.

O projeto da Alicerce Empreendimentos para a construção do conjunto, que teria 2.080 apartamentos numa área de 256.154 metros quadrados, aguarda apreciação do Conselho Municipal de Meio Ambiente (Comam). Foi justamente a passagem pelo órgão que teria colocado o ex-secretário Níveo Tadeu Lasmar Pereira, também ex-presidente do Comam, na corda bamba. Ele teria incluído o empreendimento na pauta de votações do Comam sem avisar ao prefeito Marcio Lacerda (PSB).

A pedido do prefeito, o projeto foi retirado de votação. Mas a polêmica não se encerrou, já que o texto pode voltar a qualquer momento para a lista de análises do Comam. Segundo Paulinho Motorista (PSL), Sérgio Braga desconsiderou a opinião dos parlamentares, que o teriam procurado para pedir que não colocasse o projeto do conjunto na pauta do Comam. Os vereadores teriam marcado reunião com o secretário para dia 1º.

Com pressa para votar a proposta, o novo secretário, que também assumiu a presidência do Comam, teria marcado reunião extraordinária do órgão para 31 de agosto. "Para cobrar que cumprisse sua palavras e nos ouvisse, o vereador Autair Gomes (PSC) ligou para ele na frente de outros colegas, colocou o telefone no viva voz, e o secretário mostrou que ignora a Câmara. Ele disse que não podia atrasar as coisas dele para ouvir vereador", disse Motorista.

Com a nova polêmica, a apreciação do projeto foi mais uma vez adiada. Os vereadores dizem que a construção incharia o Betânia. "São mais 7 mil moradores num bairro que já caminha para o esgotamento. Eles fizeram uma previsão dos transtornos causados, como a piora do trânsito? Queremos discutir", afirmou Cabo Júlio (PMDB), acrescentando que há outros empreendimentos polêmicos na pauta do Comam. A reportagem tentou falar com o secretário, mas não obteve retorno.