Fumaça preta fora do ar

Com uma frota de 1,2 milhão de veículos, responsáveis, segundo a Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam), pela emissão de 98% de poluentes na atmosfera, Belo Horizonte não pode esperar até 2012 para a implantação do programa de inspeção veicular, para controlar a qualidade do ar. Os veículos a óleo diesel, que são vistoriados diariamente na Operação Oxigênio, promovida pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente, ganharão mais atenção. Para isso, a capital vai contar, até o início do ano que vem, com um equipamento eletrônico mais avançado: o opacímetro, que faz a medição da emissão de fumaça preta dos veículos a diesel, detectando inclusive emissões invisíveis a olho nu. Como uma grande parcela dessa frota emite poluentes acima dos níveis aceitáveis, o uso do opacímetro poderá ajudar a detectar e coibir abusos.

Considerado uma arma poderosa contra a poluição, o opacímetro já mostrou este ano sua força em outras metrópoles do país. Em agosto, no estado de São Paulo, com o uso do aparelho, nada menos do que 1,2 mil caminhões foram multados em um único dia depois de passarem por uma avaliação. De acordo com a gerente de Fiscalização e Controle da Poluição Veicular da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Bernadete Carvalho, BH tem atualmente cerca de 43 mil veículos a diesel. "A Operação Oxigênio, implantada em 1988, sempre priorizou esse tipo de veículo, por formar uma frota de uso intenso. São veículos com duração de mais de meio século, enquanto os carros de passeio sempre são renovados", comenta Bernadete, ressaltando que no início do programa 47% dessa frota tinham sido reprovados. "Hoje, mesmo vistoriando cerca de 800 veículos por mês, a reprovação é de 7%", afirma, explicando que a multa para os motoristas pode variar de R$ 220 a R$ 2,2 mil.

No entanto, nos próximos meses, a reprovação poderá ser maior, segundo Bernadete Carvalho. "Com o opacímetro, os limites de opacidade para cada veículo são mais rígidos, conforme o ano, modelo e condição de cada um. Por ser mais complexo, ele vai pegar os excessos de muitos caminhões, ônibus e escolares que estiverem poluindo o meio ambiente", garante.

FUNCIONAMENTO  - Para evitar os abusos da frota, o medidor do opacímetro é acoplado ao veículo parado, com aceleração livre, e ligado a uma central que recebe os dados. Um calibrador é inserido no escapamento do veículo para captar a fumaça emitida. Essa fumaça é transportada até uma câmara de medição, com um filtro de luz. Pela quantidade de luz que consegue ultrapassar o filtro, é possível calcular o nível de partículas sólidas em suspensão e definir o grau de opacidade da fumaça. A aferição é processada por meio de um software instalado em um laptop.

A nova tecnologia a ser usada diariamente na Operação Oxigênio, que conta com quatro equipes na capital, cada uma com um fiscal, somada ao programa de inspeção veicular, a ser implantado em Betim, BH e Contagem em 2012, representará, segundo Bernadete, um salto positivo para melhorar a qualidade do ar na região metropolitana. "O cerco aos poluidores vai aumentar, porque, além da inspeção anual, faremos a vistoria diária. BH só tem a ganhar com tudo isso", acrescentou.

 

Jornal "Estado de Minas", 02/12/2010