ÁGUA DOS RIOS Só 4% têm qualidade ótima

Uma radiografia dos recursos hídricos do país apresentada pela Agência Nacional de Águas (ANA) ontem mostra que apenas 4% dos 1.747 pontos de monitoramento ao longo dos rios brasileiros apresentam qualidade categorizada como "ótima" - seis pontos percentuais abaixo do relatório do ano passado, que era de 10%. Outra modificação importante ocorreu no quesito "regular", que passou de 12% para 16%. No restante das classificações não houve mudanças importantes: 71% são classificadas como "boa"; 16%, "regular"; e 2%, "ruim".

Para avaliar o índice de qualidade da água, a agência usa nove parâmetros, que levam em conta principalmente a contaminação dos rios pelo lançamento de esgoto. Embora o governo tenha ressaltado que investimentos em saneamento vêm se refletindo na saúde dos rios e bacias brasileiros, mais da metade das cidades do país (2.926 municípios) não tem tratamento de esgoto. Os locais onde a água é de pior qualidade se concentram próximos das regiões metropolitanas de São Paulo, Curitiba, Belo Horizonte, Porto Alegre, Rio de Janeiro e Salvador e das cidades de médio porte, como Campinas (SP) e Juiz de Fora.

A variação negativa, entretanto, foi minimizada pelos gestores da agência, que enfatizaram uma suposta influência da diminuição de pontos monitorados - 65 a menos do que em 2009 - nos resultados. "Noventa vírgula seis por cento das bacias e dos rios se encontram em estado satisfatório de qualidade e disponibilidade e apenas 2% dos rios não apresentam resultado satisfatório. Temos uma situação muito confortável", avalia Ney Maranhão, superintendente de Planejamento de Recursos Hídricos da ANA.

Presente à apresentação do relatório, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, disse que ainda há muito caminho pela frente na questão de saneamento, mas que o Brasil avançou muito. Ela aproveitou a ocasião para mandar um recado ao Congresso, onde tramita a reforma do Código Florestal. "Quando estamos discutindo Código Florestal não estamos falando apenas do uso do solo, estamos falando de recursos hídricos e qualidade de vida. O relatório traz com muita propriedade o estresse hídrico com perda de mata ciliar (vegetação nativa às margens dos rios). Onde você desmatou mata ciliar, você tem comprometimento dos recursos hídricos. Mostra a importância de se preservar a mata ciliar", afirmou.

Além de ruim, a água que abastece municípios populosos corre o risco de não ser suficiente em um futuro próximo. A irrigação, apontada pela agência como responsável por 69% do consumo de água no país, é outra atividade que precisa ser observada. O relatório da ANA destaca também o aumento de alagamentos e estiagens, entre 2009 e 2010, nos municípios brasileiros.

Melhora Considerando a série histórica do período entre 2002 e 2009, houve melhora na Bacia do Rio das Velhas (Minas Gerais), na Bacia do Rio Paraíba do Sul (São Paulo, Minas e Rio de Janeiro) e nas bacias do Rio Piracicaba (São Paulo), do Rio Sorocaba (São Paulo) e Grande (Minas Gerais e São Paulo).