Açudes rompidos ameaçam cidade

Pelo menos 16 açudes e pequenas barragens de Lagoa Seca, no agreste paraibano, teriam se rompido com as fortes chuvas no estado desde sexta-feira. Lagoa Seca é um dos 28 municípios da Paraíba que decretaram situação de emergência por causa das enchentes. Em Pernambuco, o número de mortes por causa das enchentes subiu de oito para nove. Até ontem, 342 famílias estavam desabrigadas no estado e 645 desalojadas.

Pernambuco volta a sofrer com as chuvas e, desta vez, com um elemento a mais: a Zona da Mata Norte, que até então não estava no foco das preocupações dos órgãos de monitoramento climático e hidrológico, surpreendeu com uma cheia que não ocorria desde 1976. O município de Goiana nem sequer fazia parte do mapa de risco de inundação elaborado pelo estado para informar com antecedência aos municípios o risco de cheia. Goiana não foi avisada nem poderia. Os 18 equipamentos de Plataforma de Coleta de Dados (PCD) estão distribuídos nos principais rios e bacias hidrográficas que apresentam risco de inundação. Não era o caso da bacia de Goiana. Ontem, o governador Eduardo Campos (PSB) sobrevoou o município para observar os estragos e as áreas inundadas e decretou situação de emergência.

O governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB), e os prefeitos dos municípios atingidos se reuniram na manhã de ontem no Palácio da Redenção, em João Pessoa, para discutir as medidas a serem tomadas para solucionar os problemas ocasionados pelas inundações. O volume médio de chuvas nas cidades que compõem o litoral paraibano chegou a 250 milímetros em 48 horas, segundo nota divulgada pela Defesa Civil.

Os reservatórios de Lagoa Seca já estavam com sua capacidade máxima de armazenamento e não resistiram ao aumento das águas. A situação levou destruição e medo às pessoas, deixando prejuízos para dezenas de agricultores, que viram suas plantações serem levadas pela força das águas. O rompimento dos açudes também deixou estradas interditadas e com isso algumas comunidades acabaram ficando ilhadas.

A prefeitura confirmou a situação de calamidade pública e o governo do estado incluiu Lagoa Seca entre as cidades que estão em estado de emergência. Em sua grande maioria, os açudes e barragens que foram afetados são de origem privada, ou seja, estão dentro de propriedades rurais, que, muitas vezes, acabam não sendo monitoradas, com frequência, por órgãos como Defesa Civil e Agência Executiva de Gestão das Águas da Paraíba (Aesa).

O primeiro rompimento ocorreu, por volta das 5h, na comunidade do Almeida I. O Açude Antônio Marcolino estourou, provocando um verdadeiro "efeito cascata", atingindo outros mananciais. Mesmo assim, até o início da noite, não houve registros de vítimas, apenas consequências e danos materiais. (Com agências)