Lucro que vem do lixo

Proibição das tradicionais sacolas plásticas no comércio de Belo Horizonte abriu novas oportunidades de negócios para as empresas do ramo, que precisaram se adequar.
Também agradou aos donos de supermercados, que passaram a vender cada embalagem biodegradável por R$ 0,19, e aos produtores de sacos plásticos para o lixo caseiro. O fim da distribuição das tradicionais sacolinhas brancas no varejo da capital acabou com o custo dos supermercados - cada unidade saía a R$ 0,01 - e obrigou as famílias a gastar com os sacos plásticos para armazenar o lixo. Estatística da Associação Mineira de Supermercados (Amis) revela que, entre 18 de abril, quando a regra entrou em vigor, e 18 de junho, as vendas dos sacos plásticos avançaram 15% na cidade, mas há fabricantes que aumentaram a produção em 20%. Outros aproveitaram a demanda aquecida para entrar no ramo, abrindo vagas de emprego.

Há um mês, Reinaldo Menezes, dono da Rafisa Comércio e Indústria de Reciclagem Ltda, especializada em transformar "lixo" em matéria-prima para as produtoras de plástico, decidiu apostar na fabricação de sacos biodegradáveis. Desde então, contratou oito pessoas. "Produzimos 20 toneladas por mês, mas a meta, daqui a três meses, é alcançar 40 toneladas", disse o empresário, acrescentando que deverá empregar mais pessoas. Por enquanto, toda a produção é destinada a clientes que já compravam sua matéria-prima para transformá-la em sacos plásticos: "Faço as encomendas com as marcas dessas empresas". Sua produção será duplicada com a fabricação de embalagens com a marca própria.

Quem já comemora os ganhos com a marca própria e Oswaldo José de Faria, proprietário da Plastipam. Ele avalia que, desde a abolição das sacolas plásticas convencionais no comércio de Belo Horizonte, o volume de vendas avançou "cerca de 20%", principalmente da chamada embalagem tradicional, de 15 litros, usada principalmente em lixeiras de pia e banheiro. "Não precisei contratar mais funcionários, mas o aumento sobrecarregou os empregados", admitiu o empresário.

ECONOMIA O Sindicado da Indústria do Material Plástico do Estado de Minas Gerais (Sinplast-MG) não tem estatística do aumento das vendas e da produção das sacolas destinadas ao lixo, mas um levantamento feito pela Amis acerca da quantidade de sacolas convencionais que deixaram de circular nas empresas do setor na capital ajuda a dimensionar o lucro. Tanto de quem produz os sacos para lixo quanto para os supermercados. Segundo a Amis, 450 mil unidades/dia foram retiradas de circulação. Como o custo de cada uma girava em torno de R$ 0,01, os supermercados deixaram de gastar, mensalmente, R$ 135 mil. No ano, a conta sobe para R$ 1,6 milhão.

O mesmo estudo apontou que, na primeira semana da Lei 9.529/08, 60% dos consumidores compraram a sacola biodegradável, vendida a R$ 0,19 a unidade. Atualmente, 5% adquirem a embalagem. A maioria das pessoas, ainda de acordo com a Amis, leva a compra para casa em sacolas retornáveis, feitas, principalmente, de tecido. Carrinhos de feira e caixas de papelão, fornecidas pelo próprio supermercado, também são bastante utilizados.


Enquanto isso... OUTROS PERDEM

Embora supermercados e produtores de sacos para lixo comemorem a lei que aboliu as sacolinhas convencionais, alguns fabricantes amargam perdas. Na Fonseca Indústria de Plásticos Ltda, em Betim, a queda na produção das sacolas chegou a 60%. "(Essa) queda e a readequação que foi necessária na empresa fecharam cerca de 20 postos de trabalho", contou o gerente, Jamil El Bizri. Para compensar a perda, a Fonseca começou a produzir a sacola biodegradável, que, "no atacado, custa de R$ 0,10 a R$ 0,11". Portanto, o supermercado, padaria ou outro estabelecimento que compram o produto no atacado e o vendem por R$ 0,19 ao consumidor lucram mais de 80%.