Artigo - Jornal Estado de MInas - Olavo Machado - Minas sustentável

Olavo Machado - Presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Sistema Fiemg)

A aprovação do Protocolo de Nagoya, há menos de uma semana, subscrito por quase duas centenas de países, consolida avanços importantes no trato da biodiversidade em nível planetário e reafirma a mobilização mundial em torno do desenvolvimento sustentável. Considerado o maior pacto ambiental desde Kyoto, em 1997, quando o debate sobre as mudanças climáticas entrou definitivamente em pauta, o Protocolo de Nagoya reconhece o direito dos países sobre a sua própria diversidade - plantas, animais e micro-organismos - e estabelece metas para a ampliação de terras e áreas marítimas preservadas. É, sem dúvida, uma importante vitória para o Brasil, país que tem a maior biodiversidade do mundo e se destacou como protagonista na negociação do Protocolo de Nagoya.

Outra demonstração da importância do desenvolvimento sustentável foi o encontro realizado em setembro, na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), reunindo chefes de Estado e de governo que, durante três dias, discutiram e avaliaram o cumprimento das metas dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, instituídos para o período 2000/15. Eles propõem a redução de desigualdades nos campos de educação, igualdade de gênero, meio ambiente, renda e saúde em países subdesenvolvidos e em desenvolvimento, como o Brasil, e conta com o apoio de injeção de recursos dos países mais ricos.


A conclusão foi a de que o atual contexto global, desfavorável em razão direta da crise econômica que atinge o mundo, não é nem pode ser empecilho para evitar o cumprimento da maior parte das oito metas dos ODMs. No Brasil, dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostram avanços em metas como a de redução da população extremamente pobre, que caiu de 25,6% para 4,8%, entre 1990 e 2008, superando a meta de 12,8%, prevista para ser alcançada em 2015. Na verdade, a mobilização da sociedade e de governos mostra que a partir do final do século 20 a dimensão ambiental deixa o âmbito exclusivamente acadêmico para se colocar como tema político global com o objetivo de moldar o conceito de desenvolvimento sustentável, tendo como foco central a produção industrial. O mundo chega ao século 21 com problemas ambientais postos de maneira preocupante e que se explicitam, entre outros, pela perda da biodiversidade, acúmulo de lixo tóxico, escassez de água, esgotamento de recursos não renováveis e, de forma mais destacada, pelo fenômeno das mudanças do clima. É, em essência, uma questão global que pode e deve ter soluções locais - todos, em todos os lugares e escalas, podem contribuir. O senso comum é o de que a sociedade deve atuar em busca de uma nova ética sustentada no equilíbrio entre o desenvolvimento e a preservação.


O que se vê é uma verdadeira mobilização tecnológica em busca de eficiência energética, dos métodos de gestão e produção, essencialmente racionalizadores de tempo, espaço e materiais, na qual o conceito de produtividade é medido também pela atenção às demandas das comunidades locais, associadas a uma valoração crescente dos seus recursos naturais e culturais. É neste cenário que estamos implementando o Programa Minas Sustentável, com o objetivo de estimular a adoção de processos produtivos mais contemporâneos. Dessa forma, atendendo a demandas das próprias empresas e dos empresários mineiros, a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), por meio do Centro Empresarial e Industrial de Minas Gerais (Ciemg) e do Serviço Social da Indústria de Minas Gerais (Sesiminas), criou o Minas Sustentável. O programa se fundamenta na busca de soluções que proporcionem economia e, ao mesmo tempo, receita para as empresas - sempre de forma responsável, por meio de uma filosofia de gestão que alia processos produtivos baseados na otimização de resultados econômicos, ambientais, culturais e sociais. Resultado da percepção empresarial de que o tema da sustentabilidade tem um de seus pilares focados também nos resultados econômicos, como oportunidade para estabelecer e fortalecer marcas, o programa disponibiliza para as indústrias participantes um completo diagnóstico que avalia os impactos e mensura os custos de melhoria em cinco pilares principais: conservação de energia; reutilização de água; redução e reciclagem de resíduos, responsabilidade social e emissões de carbono.
O objetivo, dentro dos princípios da sustentabilidade, é a geração de renda, empregos e da qualidade de vida. Com este foco, o Minas Sustentável inclui ações de investigação de mecanismos para investimentos mais robustos em inovação tecnológica, especialmente no que se refere a tecnologias limpas, bem como para o desenvolvimento dos quesitos da responsabilidade social empresarial. É um longo caminho, que iniciamos com a convicção de que o engajamento da indústria mineira nos conduzirá aos resultados que todos queremos alcançar.

Jornal "Estado de Minas", 04/11/2010