Amazônia já perdeu 2,6 bilhões de árvores

Em quatro décadas de desmatamento, a região da Amazônia Legal perdeu cerca de 2,6 bilhões de árvores e 4,7 bilhões de m³ de madeira. A informação é do estudo "Geoestatísticas de Recursos Naturais da Amazônia Legal", uma publicação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que reúne informações sobre os recursos naturais da região, como vegetação e cobertura da terra, relevo, solos, rochas e recursos minerais. O estudo foi divulgado ontem.


A Amazônia Legal ocupa cerca de 5 milhões de km², aproximadamente 59% do território brasileiro, que abrange todo o Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, 98% do território de Tocantins, 79% do Maranhão e 0,8% de Goiás. Na região, vivem em torno de 24 milhões de pessoas, segundo o Censo 2010, distribuídas em 775 municípios. Os números foram gerados a partir do Banco de Dados e Informações Ambientais (BDIA), mantido pelo IBGE, que reúne informações da década de 1970 a 2002.


Desde a década de 1970, a ocupação humana de áreas na Amazônia Legal foi responsável pelo desmatamento de cerca de 15,3% do total da região até 2002 - o estudo lembra que o porcentual aumentou desde o período. Até 2002, a região perdeu 2,6 bilhões de árvores; 4,7 bilhões de m³ de madeira; aproximadamente 23 bilhões de toneladas (12,7%) de biomassa (matéria orgânica de origem vegetal); e 6,6 bilhões de toneladas de carbono (12,7%) das formações florestais. O processo de desmatamento, acentuado nas últimas quatro décadas, concentra-se nas bordas sul e leste da Amazônia Legal - o "arco do desmatamento".


Água. Uma das principais conclusões do estudo é que a região abriga cerca de 45% da água subterrânea potável do país. Isso é porque o solo de dois terços da Amazônia Legal é composto por rochas sedimentares, que propiciam a criação de aquíferos porosos, espécie de reservatórios subterrâneos capazes de armazenar grande volume de água.


Estima-se que 91% da água subterrânea no Brasil esteja nessas formações. As maiores áreas de aquíferos porosos encontram-se no Amazonas (1,3 milhão de quilômetros quadrados), no Mato Grosso (677 mil) e no Pará (513 mil).