Dinheiro com selo verde

Os municípios vão enfrentar menos burocracia para obter recursos do Banco Mundial (Bird) destinados a projetos ambientais. A promessa foi selada ontem, em protocolo assinado entre a instituição e a Rede C40 de Grandes Cidades, em encontro em São Paulo. O presidente do Bird, Robert Zoellick, e o prefeito de Nova York e presidente da Rede C40, Michael Bloomberg, afirmaram que o acordo facilitará contratos das cidades com o fundo do Bird que apoia ações destinadas ao meio ambiente. Na prática, fica abolida a necessidade de participação contratual do governo federal. A capital paulista é sede da reunião de prefeitos das 40 maiores cidades do mundo para discutir projetos ligados a mudanças climáticas e qualidade de vida. Segundo Zoellick, será simplificado o acesso das prefeituras ligadas à C40 a programas de financiamento e apoio técnico para ações de combate e adaptação às mudanças climáticas.

Isso inclui recursos para implementação de projetos de infraestrutura, transportes e saúde e apoio técnico para medição das emissões de gases causadores do efeito estufa. O valor dos recursos não foi detalhado, mas Zoellick projetou US$ 50 bilhões para os próximos anos. Ele também incentivou a participação da iniciativa privada no financiamento de projetos, como os de eficiência energética, que podem gerar créditos de carbono. O presidente do Banco Mundial afirmou ainda que os municípios deverão apresentar previamente suas metas de corte de emissões de gases causadores do efeito estufa. "Temos que saber o que a cidade quer atingir", disse.

O prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, defendeu a necessidade de as cidades medirem a quantidade e a origem de emissões de gases causadores do efeito estufa porque, segundo ele, isso vai facilitar o acesso a investimentos. "Há investidores interessados em projetos verdes, mas é necessário resolver essas questões técnicas, de padronização das emissões", afirmou. Ele lembrou que 30% dos US$ 6,4 bilhões hoje disponíveis no fundo para projetos ambientais vieram do setor privado. Zoellick acrescentou que o Banco Mundial tomará como base os padrões estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU). O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, comemorou a assinatura do protocolo. "A participação do Banco Mundial vai dar um caráter mais amplo às nossas ações, dar velocidades aos estudos climáticos e à implementação das medidas que estamos discutindo aqui."

APOIO O Japão e outros vários países ricos reiteraram as promessas de doar US$ 30 bilhões de dólares até 2012 para ajudar as nações pobres a combater as mudanças climáticas, apesar dos cortes de orçamento. A assistência climática totalizou US$ 16,2 bilhões desde janeiro de 2010, de acordo com as declarações apresentadas à Organização das Nações Unidas (ONU) até maio. Os países pobres afirmaram que boa parte do dinheiro vem de programas já existentes e não são verbas novas, como previsto.

Japão, União Europeia e Estados Unidos estiveram à frente dos doadores, com os japoneses respondendo pela metade dos recursos. Os gastos incluem projetos como um plano australiano para ajudar as Ilhas Salomão a desacelerar a erosão costeira e os investimentos feitos por Tóquio para promover a energia solar na África.

Em uma cúpula da ONU em Copenhague, em 2009, o presidente dos EUA, Barack Obama, e outros líderes mundiais haviam prometido "nova e adicional" ajuda climática, que seria elevada progressivamente até atingir US$ 100 bilhões em 2020, na ajuda aos países pobres para combater o aquecimento global. O Japão, mesmo abalado pelo terremoto seguido de tsunami em março, disse que manteria o planejamento. A próxima rodada de conversações climáticas da ONU será na Alemanha, entre 6 e 17 de junho.