Rio São Francisco reflete virtudes e problemas da economia brasileira

Nenhum rio retrata tão bem a realidade do país quanto o São Francisco, o maior leito exclusivamente brasileiro, com 2,8 mil quilômetros de extensão. Da pacata São Roque de Minas, onde ele brota entre pedras da Serra da Canastra, à cidade colonial de Piaçabuçu (AL), lugarejo em que é engolido pelo Atlântico, o Velho Chico serpenteia montanhas, corta vales, atravessa a caatinga, rasga cânions e testemunha tanto a desigualdade social - longe de ser erradicada de suas margens - quanto os novos rumos da economia das cidades que compõem a imensa bacia.
O Estado de Minas percorreu municípios dos cinco estados banhados pelo São Francisco - Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Sergipe e Alagoas. Ao longo da caminhada, uma constatação: o chamado Rio da Integração Nacional é também espelho da economia brasileira. Por sua bacia navegam novos e audaciosos projetos que fomentam diferentes atividades produtivas.

As jazidas de gás natural descobertas na Região Central e no Noroeste de Minas, por exemplo, podem garantir ao Brasil a autossuficiência na produção do insumo. Ao mesmo tempo, a região enfrenta problemas comuns ao resto do país, que freiam o desenvolvimento brasileiro. A falta de investimentos em infraestrutura é um deles: o gargalo mais visível está na subutilização da hidrovia Pirapora (MG)-Petrolina (PE).

Os exemplos não param por aí. Hoje e ao longo da semana, o EM vai revelar novos rumos da Bacia do São Francisco e traçar um paralelo com a economia do Brasil. As primeiras reportagens da série mostram como o mercado imobiliário aquecido tem mudado a paisagem e criado empregos em Petrolina, mas alertam para a inflação ao longo do rio. É uma mostra de que, como no país, garantir crescimento sem perder o controle dos preços também é desafio no Velho Chico.