Ibirité despeja lixo em área de preservação estadual

A Prefeitura de Ibirité, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), está jogando diariamente cerca de 65 toneladas de lixo em um terreno localizado no Parque Estadual do Rola Moça, área de preservação estadual. No local funcionou um lixão, desativado em 2006. O terreno está sendo usado para o transbordo de todo o resíduo sólido produzido em Ibirité. Pelo menos três carretas transportando 26 toneladas saem do Rola Moça diariamente e vão até Sabará, a 52 quilômetros de Ibirité, onde funciona um aterro sanitário mantido pela Vital Engenharia. A Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam) fará ainda nesta semana uma fiscalização na área para verificar irregularidades no descarte dos resíduos. Com base em imagens aéreas da Rede Record, exibidas na segunda-feira (30), técnicos da Feam constataram que para o transbordo no local é preciso fazer uma proteção no solo para evitar a contaminação. "O lixo fica até três dias no terreno aguardando as carretas. Neste período, várias pessoas vão até o local para catar latinhas e restos de alimentos. Parte do líquido que sai dos resíduos contamina o solo, além de atrair bichos que causam desequilíbrio para o Rola Moça", alerta o engenheiro florestal Marcelo Bretas Mello, de 43 anos, especialista na construção de aterros sanitários. O secretário de Meio Ambiente e Serviços Urbanos de Ibirité, André Matos, informou que o município não tem outro terreno para fazer o transbordo e que a prefeitura pretende realizar as adequações no local para atender às exigências da Feam. Segundo o secretário, a Prefeitura de Ibirité gasta cerca de R$ 210 mil por mês para recolher e transportar o lixo. Só com esta última etapa são destinados mensalmente R$ 50 mil. "Não temos uma área para jogar o lixo dentro das normas ambientais. Para tentar reduzir as despesas, Ibirité e mais oito municípios da Região Metropolitana de Belo Horizonte decidiram criar um consórcio para construir um aterro sanitário", afirma o secretário. O aterro que os nove municípios pretendem construir deverá custar cerca de R$ 8 milhões, sem incluir o valor da compra do terreno. Nos dois primeiros anos de operação, a Prefeitura de Betim ficará por conta da administração. Nos anos seguintes, será feito um rodízio entre as demais cidades participantes, que são Brumadinho, São Joaquim de Bicas, Sarzedo, Mário Campos, Juatuba, Mateus Leme e Igarapé. A Prefeitura de Ibirité estima que deverá ficar em cerca de R$ 100 mil a despesa mensal com a destinação e transporte do lixo para um aterro sanitário administrado por um consórcio. Segundo André Matos, a redução no custo será possível pelo fato de as cidades onde os resíduos serão jogados serem próximas a Ibirité. Dois terrenos em Betim e um em Igarapé estão sendo estudados para receber o empreendimento. Os nove municípios que estão se mobilizando para ter um aterro sanitário produzem diariamente cerca de 600 toneladas de lixo e possuem cerca de 750 mil habitantes. Em João Monlevade, na Região Central do Estado, foi construído, em 2009, um aterro por um consórcio entre as prefeituras de Rio Piracicaba, Nova Era e Bela Vista de Minas. Levantamento feito pela Feam revela que em Minas Gerais há 312 lixões, 291 aterros controlados, além de 127 usinas de compostagem e triagem que beneficiam cerca de 8 milhões de habitantes. Segundo a Feam, em 2001 o Estado possuía 823 lixões, o que representava 96% dos municípios. O prazo para o fechamento desses locais em Minas venceu em outubro de 2010. A prefeitura que não entrou com pedido de licenciamento ambiental neste prazo será multada pela Fundação Estadual de Meio Ambiente e pela Polícia Militar.