Hidrovia amplia negócios na região do Lago de Furnas

A construção de uma hidrovia no Lago de Furnas, orçada em R$ 10 milhões, deve alavancar o turismo na região e servirá ainda como uma nova opção para escoar a produção regional. Empresários e empreendedores aguardam o início da operação do novo meio de transporte para impulsionar seus negócios.

 

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit) já anunciou uma verba de R$ 300 mil para início do estudo de viabilidade econômica da hidrovia, que deve ficar pronta no ano que vem para viagens experimentais. A previsão é que em 2013 já esteja em operação.

 

Empresários do setor turístico veem na hidrovia uma oportunidade para seus empreendimentos. O empresário José Carlos Vieira, que atua na implantação e administração de condomínios, diz que a grande vantagem da hidrovia será possibilitar uma navegação mais segura aos turistas, uma vez que a grande extensão do Lago de Furnas dificulta o deslocamento dos turistas.

 

"Hoje, sem instrumentos de auxílio como o GPS, a pessoa pode se perder. A grande vantagem da hidrovia será dar um balizamento aos turistas para poderem navegar com segurança", comenta.

 


O presidente da Associação dos Usuários do Lago de Furnas, Eduardo Engel, que também possui empreendimentos turísticos no Lago de Furnas, concorda com Vieira. Diz que a simples organização do tráfego, orientando os turistas, já é benéfico para o turismo. "É preciso que o espaço seja bem organizado para não haver conflito de uso", comenta.

 

Mas uma das expectativas é o estabelecimento de rotas turísticas. Para o deputado estadual Pompilio Canavez (PT), idealizador do projeto da hidrovia quando ainda presidia a Associação dos Municípios do Lago de Furnas (Alago), estas poderão significar "uma nova página" na exploração do turismo na região.

 

Mas na opinião de Pompilio, não é somente o turismo que deve se beneficiar da hidrovia. Ele cita que o custo para transportar mercadorias no sistema hidroviário pode chegar a um terço do preço médio do transporte rodoviário. Para transportar mil toneladas/quilômetros úteis, são consumidos 5 litros de combustível na hidrovia, contra 96 litros na rodovia.

 

"Além da economia, isso representa um ganho para o meio ambiente. Só para se ter uma ideia, se no Brasil 30% da produção rural fosse transportada por hidrovias, 5.659 toneladas de dióxido de carbono deixariam de ser lançadas na atmosfera", comenta Pompilio.

 

O empresário Marcos Oliveira, que atua no ramo de fertilizantes, explica que há na região uma demanda de insumos agrícolas e que a hidrovia pode ser o meio de transporte para "encurtar distâncias".

 

Outro empresário, João Frederico Araújo Leite, está montando um empreendimento em Carmo do Rio Claro, que deve começar as atividades no final de 2012. Leite comercializará cal e já manifestou o interesse em utilizar a hidrovia.

 

De acordo com o prefeito de Alfenas, Luiz Antônio da Silva (Luizinho/PT), o empresário propôs as bases para uma parceria público-privada. Leite estaria disposto a assumir os custos de um ponto de embarque/desembarque em Carmo do Rio Claro, e o poder público assumiria os custos de implantação de outro ponto em Alfenas.

 

Leite calcula uma queda de 20% no frete com a adoção do sistema multimodal, ou seja, conciliar o transporte rodoviário e hidroviário. A intenção do empresário é escoar a produção pela hidrovia até Alfenas e, em seguida, transportá-la pela rodovia até São Paulo.

 

A hidrovia ligará Alfenas a Formiga numa extensão de aproximadamente 250 quilômetros. Durante o estudo de viabilidade econômica, que originará o projeto final, serão definidas as ramificações que integram o trajeto principal.

 

Implantação do projeto deve custar R$ 10 milhões

 


O cálculo inicial para a implantação da hidrovia no Lago de Furnas é de R$ 10 milhões. Esta é a projeção feita pela Associação dos Municípios do Lago de Furnas (Alago) para interligar o trecho de aproximadamente 250 quilômetros entre Alfenas e Formiga.

 

O pré-projeto, elaborado pela Alago, considera ainda as ramificações no entorno do trajeto Alfenas-Formiga com a construção de portos para embarques/desembarques. O deputado estadual e ex-presidente da Alago Pompilio Canavez (PT), que idealizou o projeto, explica que a definição destes portos deverá conciliar tanto o turismo quanto o transporte de cargas.

 

"É claro que esta rota é só a inicial. Nossa proposta vai além. No futuro, queremos ver o Lago de Furnas interligado à hidrovia Tietê-Paraná, o que ligará o Sul de Minas aos estados do Sul e do Centro-Oeste", explica.

 

No último dia 17, o diretor de Obras Portuárias do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit), Paulo Roberto Godoy, anunciou que a previsão do órgão é que em 2012 comecem as viagens experimentais no Lago de Furnas e, no ano seguinte, a hidrovia já esteja em pleno funcionamento. A declaração de Godoy foi feita durante uma audiência pública, realizada pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) em Alfenas.

 

O pré-projeto de hidrovia no Lago de Furnas já recebeu os pareceres favoráveis do Dnit e da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). O Lago de Furnas foi formado na década de 1960, com a construção da hidrelétrica, e é a maior extensão de água de Minas Gerais, banhando 34 municípios. A área inundada é de 1.406 km quadrados. Segundo dados da Alago, existem na região mais de 250 empreendimentos turísticos, entre hotéis, pousadas e clubes náuticos.