Dificuldade revela que maioria não é tão ampla quanto parecia

Ao final da apuração das eleições de 2010, políticos, dirigentes e acadêmicos debatiam sobre a imensa maioria que a presidente Dilma Rousseff teria no Congresso Nacional. Com a base que então se desenhava, as previsões eram de que não haveria muita dificuldade para que o governo aprovasse, praticamente, o que quisesse, incluindo reformas constitucionais.

As dificuldades na votação do novo Código Florestal deixam claro que a presidente não terá uma vida tão fácil quanto se imaginava no ano passado com os integrante de sua base e que essa maioria, teórica, pode não se confirmar na prática.

Entre os vários partidos que apoiam Dilma Rousseff, não há um que esteja totalmente satisfeito com o espaço que lhe foi dado no governo, inclusive o próprio PT, que ainda tem nomeações "pendentes".

Um alerta de descontentamento já havia sido dado na aprovação da emenda do senador Aécio Neves à MP 512 para beneficiar Minas na concessão de incentivos fiscais. Dilma foi obrigada a vetar.

Mas agora, a situação é mais complicada. O Código Florestal é uma legislação nacional e a bancada ruralista é bem maior do que a bancada mineira.

O pior é que, com muita fome de cargos a saciar e com um ministro de primeira linha "pendurado" por conta de denúncias, o governo não tem muita saída a não ser ceder à pressão do Congresso. Ir contra um número considerável de parlamentares, antes dos primeiros seis meses de mandato, pode ter consequências negativas consideráveis para toda a gestão.

É o preço de uma base de apoio tão grande. Quanto maior o número de aliados, maior o de potenciais inimigos caso sejam contrariados.