Parte da comunidade científica brasileira envia carta à presidenta contra licenciamento de Belo Monte

A Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu, no Pará, agora enfrenta a oposição formal de parte da comunidade científica do país. Um grupo de 20 associações - que inclui a Associação Brasileira de Antropologia e a Associação Brasileira de Ciências ­- enviou ontem, dia 19, uma carta à presidenta Dilma Rousseff, pedindo a suspensão do processo de licenciamento da usina. O documento manifesta preocupação quanto a violações de direitos humanos e pede o cumprimento das condicionantes da obra e a regulamentação da consulta às populações afetadas. A carta também afirma que o projeto Belo Monte está descumprindo a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho, que trata dos direitos dos povos indígenas. O empreendimento aguarda a licença de instalação, que autoriza o início das obras, e os empreendedores estimam que a concessão aconteça ainda em maio. No último mês de abril, a Comissão de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos também solicitou ao governo brasileiro a suspensão do licenciamento de Belo Monte, mas o Itamaraty considerou as exigências "precipitadas".