"Piscinão" preocupa moradores

A proposta de construção de uma bacia de contenção de águas da chuva em uma área invadida na Vila Calafate, às margens da Via Expressa, região Oeste de Belo Horizonte, tem deixado os moradores apreensivos. Eles temem uma desapropriação em massa do local, onde vivem 280 famílias. Hoje, uma audiência pública na Câmara Municipal irá discutir o projeto, ainda em estudo, com representantes da comunidade e da prefeitura.


A capital tem dez barragens e "piscinões" para conter águas da chuva e evitar enchentes. Existe a previsão de construção de outros cinco piscinões. A obra na Vila Calafate, sugerida por uma empresa de consultoria, reduziria os riscos de transbordamentos no ribeirão Arrudas, como aconteceu em janeiro de 2009. Na época, seis pessoas morreram após um forte temporal. Outras barragens do tipo já estão em operação em afluentes do Arrudas desde o ano passado, na região do Barreiro.


A bacia da Vila Calafate seria uma das maiores da cidade, com capacidade volumétrica de 600 mil metros cúbicos de água. Os "piscinões", que têm em sua base um vertedouro, se enchem durante fortes chuvas. A água verte obedecendo à capacidade de escoamento da calha do rio.


Moradores da Vila Calafate já viveram o drama da desapropriação anteriormente. Na década passada, cogitou-se a transferência do terminal rodoviário do centro da cidade para o local. Porém, decidiu-se, em março de 2010, que o melhor lugar da nova rodoviária seria no bairro São Gabriel, região Nordeste.


"Não quero ter que sair daqui. Se formos pra outro lugar, temos que saber tudo certinho", disse o aposentado João Silva, 64, morador da Vila Calafate. A vereadora Elaine Matozinhos (PTB), que irá conduzir a audiência pública na Câmara, defende soluções para uma possível desapropriação. "Os moradores serão os principais prejudicados e, por isso, é preciso saber o que será feito deles antes de se construir a bacia", afirmou.


Segundo o presidente da Associação Comunitária da Vila Calafate, Elton Moura, os moradores não foram informados sobre as remoções e os reassentamentos. "Entendemos que essa obra é boa, mas não queremos ser prejudicados".


A prefeitura informa que, caso a obra seja feita, as famílias serão cadastradas e reassentadas, a um custo de R$ 12 milhões.


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Barragens
Investimento intenso nos afluentes do Arrudas
Além da bacia de contenção de enchentes na Vila Calafate, outras obras do tipo foram construídas recentemente ou estão sendo planejadas para conter o transbordamento do ribeirão Arrudas.


Desde dezembro do ano passado, uma bacia de contenção no bairro Bom Sucesso, na região do Barreiro, está em funcionamento. A obra, que custou R$ 119 milhões, diminuiu o fluxo de água que vai para o Arrudas durante as chuvas fortes.


Outras duas obras estão previstas para a região do Barreiro, também com o intuito de conter as enchentes no ribeirão Arrudas.


Uma dessas bacias será construída na junção dos córregos Olaria e Jatobá, também na região do Barreiro. A bacia terá um volume aproximado de 200 mil metros cúbicos, e as obras vão custar ao município R$ 29,29 milhões.


Grande BH. No córrego do Túnel, que também vai para o ribeirão Arrudas, na divisa entre Belo Horizonte e Contagem, está prevista a construção de uma bacia ao custo de R$ 101,6 milhões. A expectativa é que as duas obras sejam executadas com recursos do governo federal.