Números que preocupam

Os dados preliminares do Censo 2010 mal saíram e já têm dado o que falar. Os números referentes ao de saneamento básico, por exemplo, não são muito animadores. Segundo o professor do Departamento de Saúde Ambiental da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, Wanderley da Silva Paganini, seriam necessários gastos em torno de R$ 12 bilhões por ano, por vinte anos consecutivos, para suprimir o déficit de saneamento básico no país. Atualmente, os gastos anuais do Brasil com saneamento ficam na faixa de R$ 4 bilhões, sendo metade de fundos públicos e a outra metade de companhias privadas de saneamento.

Para o também professor do Departamento de Saúde Ambiental da FSP, José Luiz Negrão Mucci, a condição sanitária do país reflete tanto as prioridades das políticas públicas quanto a situação de rendimento da população. "Ou as pessoas não têm condições econômicas de ligar seu domicílio à rede de coleta ou o próprio governo não investe nos serviços gerais de saneamento para a população de baixa renda", afirma. Uma das características do saneamento básico brasileiro é a disparidade entre regiões. Enquanto São Paulo, Minas Gerais, Distrito Federal e Rio de Janeiro possuem mais de 76% dos domicílios ligados a rede de coleta de esgoto, em estados de regiões menos urbanizadas essa porcentagem cai para 50%, em média "Há locais onde não há sequer coleta. Em Manaus, por exemplo, apenas 11% do esgoto é coletado, o que significa que quase todo o esgoto produzido permanece no meio onde as pessoas vivem", afirma Wanderley.