Cientistas italianos reabrem a discussão sobre a fusão a frio

Promessa de uma fonte quase ilimitada de energia barata sem qualquer subproduto radioativo ou emissões de carbono, a chamada fusão a frio há muito é vista com ceticismo pela ciência. Pudera: a ideia de que dois pequenos átomos podem se fundir em um outro maior a uma temperatura quase ambiente e liberando grande quantidade de energia vai contra algumas leis fundamentais da física.

Por isso tem causado rebuliço o anúncio feito por dois cientistas italianos da construção de uma máquina de fusão a frio operacional e comercialmente viável. Segundo o engenheiro Andrea Rossi e o físico Sergio Focardi, o reator funde núcleos atômicos de níquel e hidrogênio, transformando água em vapor quente, que é utilizado em usinas para gerar eletricidade.

Apresentada no início do ano para cientistas da Universidade de Bolonha, na Itália, a máquina, chamada de "catalisador de energia", ou E-cat, consome no processo 400 watts iniciais e gera 12.400 watts ao final. E, da fusão do níquel com o hidrogênio, resulta o elemento cobre sem qualquer vestígio radioativo.

Na apresentação em Bologna, o reator foi operado por Giuseppe Levi, um físico nuclear do Instituto Nacional Italiano de Física Nuclear, que não está envolvido no projeto e confirmou que a energia gerada não era de origem química.

O problema Rossie e Focardi não forneceram quaisquer detalhes sobre como funciona o reator e admitem que não conseguem explicar como a fusão a frio é provocada. "Por trás desse processo, existem alguns problemas teóricos ainda não resolvidos", disse Rossi, durante a apresentação.

Para a dupla de cientistas, a geração de cobre e a liberação de energia são provas suficientes da eficácia do E-cat e da necessidade de mais investimentos. "Estamos no Ford T, precisamos chegar à Fórmula 1", comparou Rossi.

O argumento, entretanto, não convenceu a comunidade científica. Após o artigo sobre o E-cat ter sido recusado por várias revistas científicas, ele foi publicado no "Journal of Nuclear Physics", uma revista on-line que parece ter sido fundada por Rossi e Focardi.

Para a dupla, a reprovação da academia não faz diferença. Segundo eles, importante mesmo foi o interesse manifestado por empresa grega de montar uma planta industrial ainda neste ano. Se isso realmente acontecer, estaremos diante de uma nova era mundial.