Árvores vigiadas via satélite

Pouco mais de 10% das árvores dos bairros Cidade Nova e União, na Região Nordeste de Belo Horizonte, estão em situação de risco e serão cortadas, a partir da semana que vem, para dar lugar a novas mudas. Levantamento feito pela Cemig mostra que dos 1.228 espécimes cadastrados nas ruas e avenidas desses locais, 140 terão de ser suprimidos e 400, podados. O índice repete uma realidade já observada em outros pontos da capital, como o Parque Municipal Américo Renné Giannetti, no Centro. A novidade, nesse caso, é que os mais de 100 espécimes a serem plantados nos dois bairros para substituir os antigos serão monitorados via satélite e por um moderno sistema de estatística, num projeto-piloto criado pela empresa de energia.

As novas mudas podem ser acompanhadas em um aplicativo gratuito do programa Google Earth, que deve ser acessado pela internet. Por meio de um sistema de georreferenciamento, os cidadãos agora podem ver o endereço dos plantios e obter informações sobre a espécie e características da futura árvore. As plantas também serão controladas por um modelo estatístico conhecido como Seis Sigma, que permite avaliar todas as variáveis envolvidas no crescimento e manutenção das árvores, como gasto com poda e interferência das espécies na rede elétrica da Cemig.

A substituição e acompanhamento das plantas faz parte do Programa Especial de Manejo Integrado de Árvores e Redes (Premiar), criado em 2009 com o objetivo principal de reduzir o número de ocorrências de desligamento de energia. No ano passado, foram 1.788 registros de queda de luz causados por árvores. "O projeto-piloto de monitoria das espécies vai permitir avaliar o processo de manejo como um todo. O cidadão vai ganhar com a redução do tempo sem energia elétrica; a Cemig, com menores custos para podar ou substituir árvores; e o meio ambiente, com intervenções feitas com mais eficiência", explica o coordenador do Premiar, Carlos Alberto de Sousa.

As 1.228 árvores cadastradas nesse projeto estão espalhadas por ruas e avenidas de todo o Bairro União e em 12 pontos do Bairro Cidade Nova, nas imediações da Avenida José Cândido da Silveira, num trecho correspondente a 25 quilômetros da rede da Cemig. No lugar dos 140 exemplares que serão cortados por risco de queda ou de acidente com a rede elétrica, a empresa vai plantar espécies de pequeno e médio portes, como quaresmeira, ipê-tabaco e resedá. A supressão foi autorizada, esta semana, pela Prefeitura de BH e a substituição das árvores está prevista para começar na próxima semana.

Reclamações e denúncias sobre risco de queda de árvores e interferência delas na rede elétrica podem ser feitas pelo telefone 156. A Cemig ainda alerta para a importância de o cidadão comum não fazer podas, cortes ou plantio em vias públicas. "A arborização urbana é um trabalho que deve ser feito por especialistas. Por isso, ninguém deve intervir nas árvores, com corte ou poda, nem mesmo plantar novas espécies, que podem não ser adequadas para a cidade", conclui Carlos Alberto. No ano passado, o programa Premiar fez 2.446 cortes de árvores e 80 mil podas, além do plantio de 2.486 mudas.

Para acompanhar via web

www.cemig.com.br/Sustentabilidade/Programas/Ambientais/Premiar