Brasil não deve atingir metas de saneamento da ONU

O Brasil é um dos signatários dos Objetivos do Milênio da ONU que preveem, entre outras coisas, que os países devem reduzir em 50%, até 2015, o número de pessoas sem acesso a água potável e esgoto sanitário. Segundo técnicos do próprio governo, será muito difícil alcançar esse objetivo. Com relação à água, nossa situação é um pouco melhor. Temos mais de 80% de cobertura, mas convivemos com uma triste estatística: quase 30 milhões de brasileiros não têm água de qualidade em casa.Em julho, a presidente Dilma assinará um decreto criando o Plano Nacional de Saneamento Básico, que destinará, até 2030, R$ 420 bilhões para coleta e tratamento de esgoto, abastecimento de água, drenagem, gerenciamento de resíduos e para uma rubrica chamada "desenvolvimento institucional". Que nada mais é do que capacitar prefeituras e órgãos estaduais a fazerem projetos decentes e a gerenciá-los.Para se ter uma ideia, dos pouco mais de 100 projetos de saneamento do PAC previstos para cidades com mais de 500 mil habitantes, apenas quatro foram concluídos até hoje. Dos R$ 10 bilhões anuais disponibilizados, somente 30% foram gastos. Pelo menos 16 empresas de saneamento dos estados estão quebradas e não podem sequer se habilitar a um financiamento. Uma história antiga de descaso e abandono que deixa escorrer pelo ralo o projeto de país desenvolvido.