Consumidor carrega produtos na mão no 1º dia sem sacola

 

O consumidor de Belo Horizonte não quer pagar a conta do fim das sacolinhas plásticas. Ontem, primeiro dia sem o plástico, no centro da cidade, muita gente levou as compras nas mãos para não ter que comprar nem a ecobag, nem a sacola compostável. "Eles (comércio) te forçam a adquirir a sacola. Eu comprei uma, mas não coube tudo", disse a professora Flávia Graziele Gomes de Oliveira, que saiu da Lojas Americanas com uma sanduicheira nas mãos.

O comerciário Rogério Vasconcelos e o amigo Flávio também deixaram a loja sem sacolas. Eles levavam refrigerantes e doces e foram abordados pelo segurança quando já estavam na calçada. O funcionário da loja queria que os dois apresentassem a nota fiscal da mercadoria.
"Não mostrei porque não sou obrigado a comprar a sacola, nem a mostrar a nota", disse Rogério. Ele afirma que concorda com a lei, mas diz que o comércio é que deveria arcar com o custo da sacola. "A lei é ótima, mas o estabelecimento deveria disponibilizar a sacola", diz.

Enquanto a reportagem esteve na porta da loja, outros clientes foram abordados pelos seguranças que, sem a sacola de identificação da loja, não sabiam quem realmente tinha comprado a mercadoria. "Está difícil para todo mundo", disse um dos funcionários, que pediu para não ser identificado. Segundo os clientes que saíam da Lojas Americanas, na unidade da rua São Paulo, não havia sacolas compostáveis, apenas ecobags vendidas a R$ 1,90. A empresa foi procurada pela reportagem, mas não comentou a dificuldade dos seguranças. A Lojas Americanas se limitou a dizer que "estimula o uso de sacolas retornáveis, mas também disponibiliza caixas de papelão e sacolas oxibiodegradáveis".

A doméstica Terezinha Vieira também não gostou de pagar pela sacola. "Tudo acaba estourando para a gente mesmo", reclamou.

O dono do Armarinho Porto Paris, Antônio Alves, já percebeu que o cliente não quer arcar com a conta da sacola. Desde fevereiro, ele já trabalha com as sacolas compostáveis, mas não cobra.
"Se não cobrei até hoje, vou começar a cobrar agora?", diz. Ele diz que é a favor da lei, mas questiona que outras embalagens, como as garrafas PET e os sacos de frutas no sacolão, continuarão a ser de plástico.

Comércio não acha o produto certo
Os comerciantes estão com dificuldade para conseguir as sacolas compostáveis. Na Casa de Carnes Flamboiant, no Prado, não há as sacolas biodegradáveis. "Estamos há um mês tentando conseguir a embalagem com o fornecedor", conta a caixa Simone Inêz Ramos.

O gerente da padaria Rio Negro, Elias Maia, diz que teve dificuldade para comprar a sacola compostável, que é vendida no estabelecimento por R$ 0,19. De acordo com ele, os clientes estão preparados e estão trazendo as sacolas de casa.

A loja Gato Preto Embalagens em Geral, no Mercado Central, continua vendendo sacolas de plástico para comerciantes estabelecidos fora da capital mineira, porém reduziu o total comprado, conforme o gerente da empresa, Antônio da Silva Corrêa. "Há cerca de seis meses, eram em torno de mil milheiros mensais. Agora, no máximo, 200 milheiros", ressalta. A loja também vende sacolas de papel, que estão sendo bem procuradas, mas não tem as compostáveis, fruto da dificuldade para adquirir o produto.